lavagem de cabelo
uma rapidinha
seguinte, eu acabei de enviar um email de três páginas.
já enviei logo com o rodapé pedindo desculpa, perdão, amiga, eu não sei escrever pouco! responda quando quiser!
e sempre poderia ser mais longo. eu sempre me perco nas infinitas possibilidades da linguagem, da comunicação. sempre cabe mais mais mais mais [infinitos mais]. o fim não existe, o final é só onde você escolhe parar.
já entrei nessa pira antes, quando escrevi sobre
e não me repetir aqui é causa e sintoma, então estou vigilante pra que não aconteça. mas o tema me remete à esse texto que já nasceu e finalizou, quando eu poderia ter continuado até agora, se deixassem, se eu pudesse.
eu demoro muito pra escrever porque eu escrevo muito.
é cansativo. como se todo treino fosse obrigatório resultar em uma corrida de 8km livres, deus me livre se hoje você quer fazer um leg press sentada no ar-condiciondo, só jogar uns parágrafos pequenos de ideias que poderiam ser um tweet e ir fazer outra coisa. go hard or go hard. desculpa, tô fazendo academia.
me veio um pensamento esses dias que as pessoas só não me leem mais porque é muita coisa pra ler. os textos que chegam por email sequer podem ser visualizados na íntegra, porque não cabe. meu manuscrito, mil e cinquenta páginas. ninguém tem tempo pra gastar comigo — eu sequer tenho esse tempo todo pra gastar comigo mesma. eu entendo. por isso minhas escritas são espaçadas. eu também não tenho essa disposição toda. um vez por mês, e olhe lá.
. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.
2026 é o ano da escrita.
não sei se da sua escrita, mas certamente da minha.
foi, é, o ano em que insiro a literatura, a narrativa, a criação como rotina. ou ao menos tento. ao menos, sei que deveria.
nunca serei uma conta do booktok, bookgram, cujo apelo é ler 400 páginas por dia. essa minha era já passou, e aconteceu lá atrás, nos gloriosos anos que minha mãe se recusava a contratar internet pra nossa casa, quando internet ainda era opcional. nunca fui muito sociável, nunca saí pra brincar na rua, meu dia-a-dia era ao lado de uma idosa com dificuldade de locomoção. eu precisava inventar alguma coisa pra não morrer de tédio. 400 páginas por dia era viável.
mesmo com o cérebro um pouco mais atrofiado do que ele era na época em que só existia orkut de rede social, esse ano abriu espaço às minhas ideias. foi o ano em que comecei a estudar, de fato, escrita criativa como algo pra além de vômito de palavras esporadicamente. estou na minha segunda oficina de escritores do ano. estou frequente nas newsletters. estou lendo mais — palavras dos outros e as minhas próprias.
fiz a primeira leitura de um pedaço do meu manuscrito.
a escrita, conforme dizem e repetem todas as intermediadoras dos cursos que fiz e venho fazendo, tem que ser rotina. é escrever sem querer mesmo. sem pensar muito. pegar um caderno como a primeira atividade do dia, e limpar o cérebro jogando aquelas palavras inúteis no papel, como quem limpa o paladar pro espresso com água com gás*. “tirar o lixo”, me falaram uma vez, pra dar espaço pras palavras Finais, as que podem dizer algo.
eu sou ruim de rotina, vou dizer pra vocês. sou organizada, pego o ritmo rápido, eu consigo fazer. mas não curto muito rotina fechada, com horário marcado pra tudo, a visualização exatada do que vai ser feito no dia seguinte, uma inflexibilidade que não casa bem com minhas entranhas. sinto que minha alma tende a querer ser mais livre que isso.
essa foi minha desculpa pra escrever tudo espaçado. pra não tratar escrita como rotina, como parte do meu dia-a-dia. nunca consegui implementar com a frequência de banhos. é mais como um banho de piscina. um evento que depende do dia, da oportunidade, do clima, se vai ter outras pessoas na área externa do condomínio ou não.
tô na expectativa que vire pelo menos, quem sabe, o banho de lavar o cabelo. meu cabelo é volumoso, cheio de ondas, ainda preciso me programar com algumas nuances como academia e clima, mas ainda assim é ordinário. algo que é feito porque tem que ser feito, sem pensar muito.
esse texto é meu cabelo lavado.
e pra provar que eu posso começar a ser comedida, se eu quiser. tanto mais que eu poderia falar. tão mais que cabe, tantos ganchos que sempre podem puxar infinitas coisas.
por ora, o limitado basta.
. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.
no mesmo respiro, algumas coisas igualmente rápidas
[[e feliz demais de voltar aos tópicos bate-bola da marília grabiela, como era de praxe no tempo de ouro de newsletters]]:
✩ quando eu escrevi minha despedida a são paulo, estava tão focada no lugar de saída que sequer lembro de ter mencionado o lugar de chegada. hoje escrevo de minas gerais. o mundo janela afora quando o faço é bem mais tranquilo. silencioso. tudo acontece bem mais devagar.
✩ voltei a fazer umas colagens. sei lá. brincar com isso de novo, pelo menos. vim jogando algumas no instagram que chamo de galeria.
✩ minha amiga fernanda hofmann lançou um novo single, que tá uma delícia. a produção é inspirada na rita lee. eu me senti num clipe da olivia rodrigo ouvindo. sobre os prazeres de ser doida.
✩ assisti seis temporadas da série younger na netflix até barrarem meu acesso por não estar na mesma residência do assinante. me desconectaram lá pelo começo da última temporada, o que pode ter sido também um presente, já que a história tava uma merda. as seis temporadas anteriores, no entanto, foram um deleite. papo de criança que descobre o youtube pela primeira vez. as cores berrantes, o figurino brega de uma época pré-temercore, nova york como personagem, cenário editorial com a publicação dos piores livros que você já ouviu falar e a sutton foster sustentando a impossibilidade de se passar por uma menina de 27 anos só no carisma. 1000/10. e ela nem tinha traído o marido com o hugh jackman ainda.

✩ tô jurada de morte pela comunidade futibolística porque fiz um piada sobre as regras do impedimento. copa, né. estão usando minhas palavras por aí pra ganhar engajamento, mas que fique determindo que quem estava na linha de frente quando publicou palavras tão ofensivas fui eu!
✩ e por falar na sertaneja em usarem minhas palavras, the vampire lestat está de volta, ou iniciou, já que a série que voltou não é a mesma série que antes foi. e, apesar de tantas críticas não-especializadas, hoje eu vivo e respiro minha loira.
mas isso vale uma edição por si só.
. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.
ah, eu também mudei o layout da newsletter!
beijo grande pra quem notou e até a próxima rapidinha.
*nunca sei se é pra beber a água com gás antes ou depois do cafézinho. é pra limpar o paladar PRO cafezinho ou DO cafezinho?










Como pode eu me identificar com tudo que você escreveu e principalmente ficar muito feliz que mais alguém tá obcecada com a maior loira do momento!?!? Hahahaha amo!
pro cafézinho!!! ótimo texto, como sempre, me prendendo do início ao fim